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Não, a culpa não é dos millennials

Não, a culpa não é dos millennials

Millennials. Vistos como narcisistas, arrogantes, imaturos e que não conseguem fazer uma refeição longe do celular. E, além disso, vêm sendo acusados de matar indústrias devido a seus comportamentos.

Porém, a questão é muito mais complexa para a geração “nutella”, pois os millennials não são melhores ou piores do que as outras gerações. Eles apenas se comportam diferente. A geração está longe de ser “mimimi” e, ao contrário do que grandes indústrias pensam, eles não estão deixando de consumir bens, mas, para eles, fatores como ética ao meio ambiente, saúde e experiência são determinantes na hora de escolher um produto. E é por isso que algumas empresas estão tendo dificuldades: ainda pensam como baby boomers.

Millennials são mais seletivos, não mais têm o preço como um fator determinante para compra, inclusive, 73% está disposto a pagar mais por um produto que seja sustentável. E, além disso, priorizam a saúde e bem-estar, com 8 em cada 10 acreditando que comer bem é essencial.

A seguir, alguns casos de indústrias que acusam os millennials de serem responsáveis pela sua queda ou pelo seu baixo crescimento, porém a falta de adaptação é o que deve ser discutido. E como os millennials não têm tempo, vou citar só algumas. Estudo baseado no artigo da CB Insights.

Cereal

As vendas de cereal caíram 17% na última década. Mas a questão não é que os millennials acham o cereal inconveniente, mas estão consumindo mais como um snack, e não café da manhã. Além disso, a alta quantidade de açúcar nos produtos não condiz mais com essa geração.

Jantar Fora

Os millennials comem fora de casa mais do que qualquer outra geração. A diferença é que, para eles, não é atraente sentar na mesa de um restaurante. Essa geração prefere comer uma comida mais elaborada, deixando de lado grandes cadeias como Oliver Garden e Apleebees, quando possuem mais dinheiro. E quando não, comem comidas saudáveis no estilo grab-and-go. Alguns lugares já estão se adaptando, mudando a decoração, otimizando o serviço e adotando opções vegetarianas. E parece estar funcionando.

Lojas de Departamento

Millennials não estão mais na onda consumista do “american way of life”. Preferem qualidade ao invés de quantidade e são mais seletivos em suas escolhas. A facilidade e otimização que o e-commerce disponibiliza é altamente chamativa para o pessoal da década de 90. Algumas empresas já perceberam esse movimento e estão apostando em lojas online e guide shops.

Produtos de Luxo

Os millennials priorizam acima de tudo experiência. Os jovens não estão mais tão preocupados em ter um carro, mas sim conhecer a Europa antes dos 20. O mercado de luxo tem testado outras estratégias para atrair esse público, incluindo produtos mais casuais e que tragam experiência. Além disso, os millennials têm preferido alugar produtos de luxo do que comprar. Fica aí a dica para um novo nicho.

TV a Cabo

A verdade é que os maiores responsáveis pelos cancelamentos de assinatura de TV a cabo não são os millennials, mas a geração X. Netflix, Hulu, e Amazon Prime já estão incorporadas como forma de entretenimento para a geração do milênio. E não é de se espantar, enquanto a mensalidade do Netflix é de aproximadamente $8.99 – $15.99, a de TV cabo é de aproximadamente $85. Com menos tempo e paciência, os baby boomers e a geração X também estão apostando em streaming. Não, não são só os millennials.

Academias

A “geração da solidão” está apostando cada vez mais em atividades em grupo, ao invés de realizar exercícios individuais. Enquanto a geração X gasta mais ou menos $15 em exercícios físicos por mês, os millennials gastam $40. Só que não em academias. Eles preferem aulas personalizadas, com experiência e interação social. Ou seja, diferentemente do que se pensa, a geração nutella não é "preguiçosa", só não gosta de correr como um hamster em uma roda.

 


A indústria não está sendo ameaçada pelos millennials, mas pela falta de inovação e adaptação. A mensagem é clara: eles querem experiência, conveniência e sustentabilidade. E marcas que continuarem com os mesmos modelos vão continuar a enfrentar problemas. A disrupção é mais que necessária, e que isso sirva não como ameaça, mas como uma nova forma de oportunidade e transformação.

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Thais Porsch
Thais Porsch Seguir

Estudante de Jornalismo e fotógrafa

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